Os termos perfume, odor, aroma e buquê designam o cheiro agradável que é liberado pelo vinho, de forma mais ou menos intensa, mais ou menos complexa. A palavra fragrância é mais do estilo poético. O cheiro depende da cepa, da origem do vinho, da sua idade e de seu estado de conservação. É uma das características mais apreciadas dos grandes vinhos.

Com frequência ocorre confusão quanto aos termos correntemente empregados para designar os cheiros. O degustador deve fazer distinção no seu vocabulário entre “aroma” e “buquê” e dar a esses termos, geralmente sinônimos, significados um pouco diferentes. Para alguns, os vinhos brancos teriam aroma e os vinhos tintos, buquê. Isso é verdade na medida em que os vinhos brancos são bebidos jovens e os vinhos tintos são bebidos velhos. Não é verdade para todos os vinhos.

Para outros, o buquê é o cheiro percebido por olfação direta e o aroma somente por via retronasal, ou seja, quando o vinho está na boca, no momento do consumo.

Nos parece mais conveniente, no entanto, designar por aroma o conjunto dos princípios odorantes dos vinhos jovens, enquanto o buquê é o cheiro adquirido pelo envelhecimento, aquele que se manifesta com o tempo. Nesse sentido os vinhos jovens agradam mais pelo aroma do que pelo buquê, ao passo que nos vinhos velhos só o buquê permanece depois de alguns anos de conservação em garrafa.

Distinguem-se dois tipos de aromas. O aroma primário – varietal – proveniente da uva. É o aroma de fruta característico da cepa, ou seja, da linhagem da vinha, podendo variar de intensidade e de fineza. O aroma secundário – ou fermentativo – aparece durante a fermentação. É o cheiro vinoso intenso que se desenvolve sob a ação das leveduras, depois das bactérias, e cuja volatilidade nas colheitas da vinícola. O aroma fermentativo pode ser intenso e muito agradável, mas não suficiente para garantir as características olfativas dos vinhos mais envelhecidos.

Depois de alguns anos de guarda, o cheiro praticamente desaparece, dando lugar ao  buquê. Na realidade, vinhos de fabricação moderna conservam melhor o aroma ao atingirem a idade madura. Saber envelhecer é conservar por muito tempo virtudes da juventude. Há, sobretudo, intensificação e diversificação do cheiro, ou seja, aquisição de compostos novos e transformação.

O buquê, a mistura de perfumes complexos que o vinho velho exala no copo, certamente assim chamado por alusão ao perfume complexo de uma mistura de flores, desenvolve-se durante o envelhecimento, em parte, muito provavelmente, a partir dos elementos dos aromas primários e secundários.

A harmonia definitiva dos cheiros só se realiza com a cumplicidade do tempo. O buquê se traduz pela fusão, pela aglutinação olfativa. Somente os vinhos de classe são capazes de passar do aroma ao buquê.

Por algum motivo existe a máxima de que, para vinhos, quanto mais velho melhor. Hoje nós vamos conversar sobre isso e analisarmos o que existe de verdade ou de boato nessa afirmação.

Para elaborarmos melhor a nossa conversa, é preciso, em primeiro lugar, eliminar algumas lendas que são espalhadas quase automaticamente. E a primeira delas diz justamente sobre os vinhos antigos e a sua qualidade superior.

Em resumo, um vinho não é melhor apenas por ser mais velho. Na verdade, a grande maioria dos vinhos deve ser consumida em um período máximo de 5 anos – o que não é um número alto se comparado aos vinhos de guarda – vamos falar deles adiante.

Portanto, apenas afirmar que um vinho por ser velho é superior a outro vinho está errado. Acompanhe a nossa explicação e aprenda a reconhecer quando um vinho precisa ser maturado ou não, desse modo você espantará de uma vez por todas as dúvidas na hora de analisar o tempo de vida de um vinho. Boa leitura!

A vida dos vinhos

Vinhos não são produtos fáceis de serem analisados. É preciso ter consciência de que um vinho – seja ele de qualidade superior ou mesmo um vinho simples – se trata na verdade de um produto orgânico que sofre estágios de maturação.

Um vinho nasce, ou seja, é produzido. Evoluí, o enólogo incorpora ao vinho substancias e misturas que serão responsáveis por transformações na composição química do vinho. Depois ele chega ao seu estado de maturação, quando está em suas condições mais favoráveis para consumo. E por fim ele morre. Dizemos que um vinho está morto quando perde características fundamentais de odor e paladar.

Vinhos com ciclo de vida de 0 até 5 anos, são considerados vinhos normais ou simples. Já os vinhos que possuem um ciclo que varia entre 5 anos até décadas, são os vinhos complexos, denominados vinhos de guarda. Um exemplo é o vinho IL Palazzo Chianti Riserva.

Os vinhos de guarda são melhores?

É desaconselhável analisar um vinho pelo juízo de valor e separá-los entre melhores ou piores. É evidente que alguns vinhos serão mais indicados para determinadas circunstâncias ou outros vinhos possam ser feitos por marcas mais simples e não possuírem a qualidade desejada.

Contudo, é sempre bom salientar que os vinhos de guarda são dotados de camadas e nuances que não são atingidas pelos vinhos de consumo rápido. Para os paladares mais exigentes, nada substituí um bom vinho do Porto.

Posso guardar o meu vinho?

Talvez você esteja se perguntando se o vinho que você tem em casa pode ser guardado ou se ele perderá o sabor. Muitas vezes ganhamos um vinho de presente ou compramos ele em viagens e não sabemos se ele se trata de um vinho de guarda ou não.

Vamos dar algumas dicas de como saber se o seu vinho possuí um ciclo de vida longo. Procure no rótulo ou entre em contato com o produtor para saber se o seu vinho é rico nos seguintes aspectos:

  • Álcool: vinhos com teor alcoólico maiores tendem a ter mais anos até a sua maturação.
  • Açúcar: o mesmo é válido para os vinhos com taxas elevadas de açúcar.
  • Tanino: é a principal substância das uvas. Está presente nas cascas e nas sementes. Encontrados em maior quantidade normalmente, porém não somente, em vinhos italianos. O tanino, quando muito potente, é responsável pela sensação de secura na boca.

Vale salientar que apenas o alto teor dessas substâncias não garante que a vida do seu vinho seja longeva. É muito importante ter especial atenção ao armazenamento do vinho. E lembre-se, se o vinho for aberto, é aconselhável que o seu consumo seja feito em no máximo 3 dias.

Caso tenha ficado com alguma dúvida, entre em contato conosco, estamos sempre disponíveis para conversar e trocar experiências. Também não deixe de seguir as nossas publicações, procuramos trazer as melhores informações sobre o universo dos vinhos e as suas especificidades. Obrigado!