Existem paixões prontas para serem vividas. Essas paixões podem virar amores avassaladores, mas isso acontece apenas no momento certo. Enquanto as uvas estão nas parreiras, estão em crescimento e elas vivem aquela etapa de início de namoro, para o amor acontecer – no caso ser transformado em bebida – é preciso estar no ponto certo, preparadas para o amor. No mundo das uvas esse momento pode ser poeticamente descrito como: o período de maturação.

Nesta romântica viagem ao mundo dos vinhedos cada amor tem suas particularidades. As uvas são colhidas de acordo com o processo de elaboração do vinho. Isso envolve diversos fatores externos como o clima do local de cultivo, o solo, o período de armazenagem, entre outros que ficam a cargo dos ‘cupidos’ – os profissionais que atuam na elaboração de cada vinho – que usam suas artimanhas para deixar a bebida saborosa, inesquecível, incomparável, imortal, assim como o amor.

A maturação, de fato, é tão velha quanto o amor. Esse processo é executado há milhares de anos, afinal, estamos falando da elaboração da ‘bebida dos deuses’. Para que o cálice possa estar cheio de um vinho de qualidade é preciso antes uma série de cuidados que iniciam ainda nos vinhedos e um deles é prestar atenção no tempo de maturação, isso é essencial para a elaboração da bebida.

TUDO TEM O TEMPO CERTO

O ponto de maturação é uma escolha que determina o tipo de bebida a ser elaborada. Esses detalhes são extremamente importantes para a produção de vinhos de excelente qualidade. A colheita precisa acontecer no tempo certo para que a bebida atenda as expectativas da produção e que o rótulo siga sua saga.

Nos vinhedos, diante de todos os acertos – inclusive no preparo da poda – e contando com a ‘bênção’ da natureza, o enólogo tem a notável missão em definir a data de colheita. É uma das decisões mais importantes do ciclo, visto que o tempo em que o cacho continua, com seu ‘cordão umbilical’, ligado ao pé, cada grão da uva vai tomando características variáveis.

RISCOS E CHANCES QUE TRANSFORMAM OS VINHOS

Quando a produção exige que a uva seja mais doce é preciso esperar. Para atingir esse ideal, a decisão é deixar a uva mais tempo no vinhedo e esperar que ela fique mais adocicada. Mas essa espera também é contar com condições climáticas favoráveis, pois envolve correr o risco de sofrer chuvas prolongadas que podem ‘aguar’ a uva, aquele fruto que já estava praticamente no ponto para ser colhido.

Deixar de correr risco envolve contar somente com aquilo que já está certo e essa decisão pode ser sinônimo de chances perdidas. Quando a colheita é feita depois, as uvas podem ficar mais concentradas em aromas, em açúcares, em cores e essas características irão interferir no resultado do vinho.

OS EFEITOS DA MATURAÇÃO PERFEITA

Durante o período de maturação, a uva sofre mudanças, como por exemplo, o bago aumenta de volume, também aumenta a sua concentração de açúcares, além de perder a acidez e taninos; a uva também tende a amolecer cada vez mais – devido à perda de rigidez da parede das células da película e da polpa.

Na maturação da uva tinta, também é elevada a quantidade de matéria corante.

Outro efeito importante de ser citado é que durante a maturação do grão da uva é possível produzir quantidades de açúcares que serão capazes de gerar o álcool necessário para o vinho. Essa alteração é um dos encantos em ver como a uva é enigmática e consegue promover seus fascínios.

Os tais fascínios envolvem um grau de potencialidade para uma vasta variabilidade na maturação da produção da videira. Isso ocorre dentro do cacho, de cacho pra cacho e dentro do vinhedo. 

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AS ESTAÇÕES TAMBÉM INTERFEREM

Nos vinhedos do hemisfério sul, é possível observar como as condições climáticas interferem na maturação, quando ela acontece no primeiro semestre, o processo ocorre de maneira mais lenta – isso para uma primeira safra, com previsão de colheita em pleno inverno, ou seja, entre os meses de junho e julho. A justificativa para a maturação ser lenta – oscilação de período de aproximadamente 30 a 40 dias antes da colheita – apontam para as variações na temperatura. Essa condição é favorável para a síntese (geração de acúmulo) de compostos fenólicos (combinados responsáveis pela estrutura e coloração de vinhos e sucos), além dos compostos aromáticos.

estações e a maturação das uvas

Quando a maturação acontece no segundo semestre – previsão de colheita nos meses de novembro e dezembro – o processo é muito mais rápido. Como envolve as estações mais quentes, as temperaturas elevadas – em locais com menor amplitude podem variar entre 25/35 até 40ºC – justificam essa rapidez. Essa velocidade da maturação tende a interferir na concentração e nas características das uvas e, consequentemente, dos vinhos.

O ÁPICE DA MATURAÇÃO

Se para viver um intenso amor é preciso estar pronto, ao levarmos o romance até os vinhedos, é possível ter essa mesma sensibilidade em relação às uvas. Antes de serem cuidadosamente colhidas, elas precisam estar em condições para serem transportadas, ‘transformadas’, armazenadas, sem perderem suas características e encantos.

O grau de maturação dá as condições que elas precisam para atender todas as expectativas, para tomarem aromas inconfundíveis e inimagináveis, para conterem as notas certas e os toques perfeitos, para atingirem as texturas ideias e selarem com as mais perfeitas harmonizações, no dosagem para serem servidas, na medida certa para os brindes, para os festejos que acontecem nos mais variados lugares do mundo. A maturação é quando ela está pronta, pronta para deixar o vinhedo, pronta para a transformação, pronta para permitir que os amantes dos vinhos possam viver novas experiências. E falando em novas experiências, conheça a Lovino: bebida para ser vivida.