Coloração intensa arroxeada – aqueles tintos marcantes – notas amadeiradas, tendenciosamente frutados, versáteis, bem encorpados, com suas complexidades, democráticos, indo dos rosés aos espumantes leves. Essa é uma síntese muito simples para descrever os enigmas da uva Malbec. Os vinhos que têm ela como base estão entre os preferidos dos brasileiros. Elas são versáteis. Além disso, sua diversidade é cada vez mais evidente e apreciada no momento da degustação. 

É interessante como elas fluem com as notas e combinações. Isso fica evidente de acordo com a origem da uva, ou seja, de qual vinhedo foi a colheita que foi destinada para a bebida, pois mesmo quando elaborados a partir da mesma uva, os rótulos passam a adquirir características variáveis de acordo com o país e a região onde foram cultivadas. 

Essa uva é tão marcante que no dia 17 de abril é comemorado o Dia Mundial do Malbec. Saiba mais sobre essa data em nosso artigo ‘Tim-tim Comemore o Malbec World Day’

Malbec Lovino

Essas peculiaridades atraem o paladar dos brasileiros. Os vinhos produzidos com a Malbec – aqueles que são mais visados no mercado nacional – possuem um caráter mais frutado e isso vale ponto. Os rótulos da Malbec também atraem os novos degustadores que não têm receio de levar um exemplar para casa e saborear novas experiências.

DO NORTE PARA O SUL

A origem da uva Malbec iniciou-se em solo europeu. Ela é originária de Bordeaux, região do sudoeste da França. Mas ficar contemplando apenas às margens do Rio Garonne foi pouco para elas. Já estava escrito em seu destino que elas ganhariam vinhedos em diversas partes do mundo.

A consolidação ocorreu em solos argentinos. Para os nossos hermanos, a Malbec é uma das principais uvas produzidas no país. Seu cultivo ocupa grande parte da superfície plantada entre as uvas classificadas como finas tintas. A área é tão vasta que ultrapassa o perímetro de cultivo da famosa Cabernet Sauvignon. 

Mesmo vindo de lugar muito distante, sudoeste francês, a uva teve uma adaptação perfeita em relação ao clima argentino – principalmente na cidade de Mendoza. Essa particularidade em aprender a crescer em solo e temperaturas da Argentina foi um grande diferencial da Malbec e isso permitiu que ela, gradativamente, ganhasse mais território.

Mendoza também foi pouco para atender a audácia dessa uva em querer expandir. Da região de Cuyo, a Malbec foi trilhando vinhedos no noroeste montanhoso de Salta e Catamarca. A migração chegou até a vasta área no extremo sul da América do Sul: a famosa Patagônia.

O cultivo em solo argentino, devido às variações de cada região do vinhedo, faz com que a Malbec ofereça estilos diferentes, com suas variações e propriedades peculiares. Elaborados com as uvas de Mendoza, os vinhos possuem coloração intensamente escura, com toques de frutas negras, especiarias florais ou doces e expressão mineral.

Uma dica de Malbec argentino é o Vinho La Mascota, com 15 meses por barricas de carvalho francês e americano e isso faz dele um vinho fácil de beber. É um excelente exemplar de Malbec argentino que você não irá se arrepender em adquirir para sua degustação.

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As características mudam quando a bebida é produzida com a uva proveniente dos vinhedos das regiões de Salta e Catamarca. A Malbec que vem dessas áreas de cultivo consegue deixar o vinho com taninos firmes, contém aromas de frutas negras maduras e vermelhas, além de notas mais marcantes como pimenta e pimentão, todas essas combinações deixam a bebida mais elegante e com uma personalidade marcante.

Os encantos da deslumbrante Patagônia também podem ser sentidos na degustação de um vinho produzido com a Malbec que cresce naquela região. Os rótulos elaborados dessas colheitas tendem a possuir teor mais fresco, com aromas de frutas negras maduras, um toque mineral marcante e características consideradas mais moderadas.

A MALBEC DE OUTROS PAÍSES

Os exemplares são diferentes quando a Malbec é cultivada em outros países como na França – local de origem – no Chile, na Austrália e na Nova Zelândia. Na região de Cahors, território francês, a Malbec é denominada Côt ou Auxerrois. 

De modo geral, os vinhos elaborados com a base da Côt ou Auxerrois possuem, naturalmente, uma acidez mais acentuada, sua cor é densa e têm aromas de baunilha, frutas negras, violetas e especiarias. Quando o exemplar possui em sua elaboração a mistura com a uva Tannat, o vinho tende a se tornar longevo e, na garrafa, pode evoluir por mais de 15 anos.

Nos vinhedos chilenos, quem reina é a Cabernet Sauvignon. Mesmo tendo um território imperial de cultivo, o país também tem parreirais de cultivo da Malbec. Naquela região, os vinhos feitos com a Malbec tomam outras características; os exemplares possuem mais taninos que aqueles elaborados na Argentina, são vinhos mais encorpados e ácidos. No Chile, é mais fácil encontrar, por exemplo, vinhos com blends da Malbec com Cabernet Sauvignon, Carménère ou Syrah.

Dica de malbec argentino: Vinho Santa Ema Gran Reserva, este Malbec proveniente do Vale do Maipo, no Chile. Rótulo equilibrado e sedoso, com taninos macios e maduros.

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VERSATILIDADE NOS ROSÉS E ESPUMANTES

As versões dos rosés feitas com a Malbec conseguem apresentar boa estrutura de corpo, além de conter aromas variados de frutas maduras e frutas frescas. Existem produtores na Argentina que estão elaborando exemplares com menos taninos e com teor mais suaves.

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Em relação aos espumantes, o resultado do rótulo vai variar de acordo com o processo de produção. Aqueles que são elaborados com a Malbec são categoricamente frescos e com aroma marcantemente frutado. Vale lembrar que na elaboração dos espumantes podem ser utilizados os métodos de fermentação Charmat ou Tradicional.

BEM SERVIDO

Os rótulos Malbec são conhecidos por seus aromas frutados que são marcantes e de sabor intenso, ou seja, ele consegue permanecer por mais tempo na boca, uma característica marcante para quem aprecia tal degustação.

A recomendação é que os vinhos da Malbec sejam servidos em temperaturas entre 16 e 18ºC. Logicamente, é preciso levar em consideração qual é o tipo de vinho a ser degustado e a temperatura ambiente. Aproveitando a estação do momento, leia nosso artigo ‘Guia dos melhores vinhos para a temporada de inverno’

Com um vinho bem servido, o ideal é harmonizar. Um Malbec vai ‘cair muito bem’ com pratos à base de carne e suas variações, como churrasco, fondue de carne, hambúrguer, bife ancho, chorizo ou massas a bolonhesa. A versatilidade desses rótulos também contempla aqueles que preferem uma culinária sem carne, como pratos com molhos densos, risoto de funghi, tábuas de frios com embutidos e queijos amarelos. 

Se a escolha for um rosé ou um espumante elaborado com a Malbec, é possível ampliar o cardápio, pois esses tipos de bebida harmonizam com mais receitas. Eles podem combinar muito bem com peixes, frutos do mar e até saladas. 

O PODER DE UM MALBEC

Você já tem um Malbec para chamar de seu? Instigue seu paladar e viva novas experiências. Através do vinho faça uma viagem pela Argentina, pela França, pelo Chile e deguste cada peculiaridade dos rótulos, perceba as notas, os aromas das frutas, a sensação de permanência na boca e encontre o seu Malbec favorito.